Todo projeto que ainda não existe tem o mesmo problema. A pessoa que precisa dizer sim não consegue ver. Ela pode ler, pode ouvir você contar, pode olhar imagens de referência tiradas dos filmes dos outros. O que ela não pode é assistir. Então ela faz a coisa racional e hesita, porque dizer sim ao que não se vê não é cautela, é adivinhação.
Um proof of concept cinematográfico é a resposta a esse problema específico. É um curta, feito antes de o projeto ser financiado ou construído, cujo único trabalho é deixar alguém ver a coisa bem o bastante para decidir sobre ela.
A definição que funciona
Um proof of concept é uma peça curta e acabada de cinema que demonstra o mundo, o tom e a ideia central de um projeto que não foi feito. Não é um resumo do projeto. É uma amostra dele, na qualidade final, em escala pequena.
A distinção importa mais do que parece. Um resumo descreve. Uma amostra prova. Se o seu filme é um resumo, o espectador ainda precisa imaginar a coisa pronta, o que significa que você mudou o problema dele de lugar em vez de resolver.
Um deck diz imagine. Um filme dispensa a necessidade.
O que ele não é
- Não é um trailer. Um trailer anuncia um filme que existe e supõe que a plateia já quer entrar.
- Não é um mood reel. Mood reel é imagem dos outros arranjada para sugerir um sentimento. Prova gosto, não capacidade, e não prova nada sobre o seu mundo específico.
- Não é um sizzle. Sizzle é uma montagem rápida e enérgica feita para gerar impulso numa sala. Tem função, mas a função é calor, não prova.
- Não é teaser para rede social. Isso é marketing de algo que já foi aprovado.
- Não é a primeira cena do filme. Pode ser, mas só se essa cena por acaso carregar o ônus da prova, e normalmente ela não carrega.
A pergunta que decide se funciona
Antes de escrever ou filmar qualquer coisa, uma pergunta precisa ser respondida numa frase: o que este filme precisa que alguém acredite?
Não o que ele precisa mostrar. O que ele precisa que alguém acredite. São filmes diferentes. Um projeto de ficção científica pode precisar que alguém acredite que um mundo construído sobre uma regra estranha se sustenta visualmente sem parecer barato. Um projeto de época pode precisar que alguém acredite que a época é viável no orçamento em discussão. Uma peça de personagem pode precisar que alguém acredite que aquele ator específico, ou aquele registro de interpretação, segura uma plateia por noventa minutos.
Cada um desses é um filme diferente. Mesmo projeto, mesmo roteiro, três provas completamente diferentes. Errar isso é o erro mais comum e mais caro da categoria, porque o resultado fica bonito e não faz nada.
A segunda pergunta, que quase ninguém faz
Existe uma pergunta companheira, e é ela que separa um filme que impressiona de um filme que destrava uma decisão: qual é o risco neste projeto que faz as pessoas hesitarem?
Todo projeto não feito carrega um medo específico. O gênero não está provado. O tom é difícil de descrever e fácil de errar. A escala parece impagável. A premissa soa ridícula dita em voz alta e só funciona quando se vê. O diretor nunca filmou nesse porte. Um proof of concept que não mira direto nesse medo é decoração.
Mire no medo. Prove a coisa mais difícil, não a mais bonita.
Quando ele merece o orçamento
Um proof of concept vale a pena quando três condições são verdadeiras ao mesmo tempo. Existe uma decisão a ser tomada. Existe uma data para ela. E o que trava a decisão é algo que um filme consegue de fato resolver.
Essa última condição é um filtro de verdade. Um filme resolve dúvida sobre tom, mundo, escala, registro e voz. Um filme não resolve dúvida sobre o seu plano de negócio, a sua cadeia de direitos, ou se o mercado quer isso. Se o que trava é jurídico ou comercial, um filme bonito não move, e você terá gasto orçamento provando algo que ninguém estava perguntando.
O que é honesto dizer
Um proof of concept melhora acesso e consideração. Faz o projeto ser assistido em vez de folheado, e faz a conversa começar pelo que a coisa é, e não pelo que ela poderia ser. Isso é uma vantagem real e mensurável.
O que ele não faz é garantir um resultado. A maioria dos projetos que são feitos foi apresentada muitas vezes antes, e a maioria dos roteiros vendidos nunca é produzida. Quem diz que um filme vai captar dinheiro para você está vendendo outra coisa que não um filme. A promessa honesta é mais estreita e mais útil: você para de precisar pedir que imaginem.
O detalhamento de como construímos essas peças, etapa por etapa, está na nossa página de proof of concept.
Um proof of concept é uma amostra do projeto não feito, não um resumo dele, e a qualidade dele se mede por uma coisa: se ele mira na crença específica e no medo específico que estão entre o projeto e um sim.
Se existe uma decisão no seu projeto com data marcada, essa é a conversa que vale ter.
Começar uma conversa